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André Mehmari
André Ricardo Mehmari
* 22/04/1977 Niterói, RJ, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
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Formação

André Mehmari busca em imagens a referência para situar a época em que começou sua vida de instrumentista. "Tocar não sei dizer, porque já existia o piano em casa e apareço posando solenemente ao piano em fotos tiradas quando eu não tinha nem um ano de idade". 

O contato com a música – sem dúvida - foi anterior, ainda na barriga da mãe, pianista, acordeonista e cantora. "Comecei a nascer enquanto ela tocava piano na sala de casa". Essa parte da história foi contada a André. Já a primeira lembrança musical ele a tem bem nítida, “certamente minha mãe tocando acordeon. O fole indo pra lá e pra cá. Um noturno de Chopin, uma canção de Jobim...”.
 
De Fryderyck Chopin a Tom Jobim, a primeira fase da formação musical de André Mehmari está ligada à família e inclui muitas outras influências. Além da mãe, o avô materno, filho de portugueses, tocava banjo na banda de jazz da pequena cidade de Ibirá. O avô paterno, de quem herdou o sobrenome Mehmari, veio do Líbano para o Brasil trazendo na bagagem um belo alaúde no qual gostava de improvisar melodias. 
 
O universo de sonoridades, somado ao acesso material a vários instrumentos, moldou o músico virtuoso e o arranjador que transita com desenvoltura pela música popular, jazz e o erudito.
 
Estudar música pra valer André começou aos oito anos num órgão eletrônico, instrumento da moda nos anos de 1980. O órgão combinava a tradição do piano com a incrível possibilidade de ser transportado para qualquer lugar. E ainda trazia os recursos da tecnologia que viria dominar as décadas seguintes.
 
André Mehmari aprendeu com professoras particulares de quem recorda o gosto por boleros e fox-trotes. O método Yamaha (marca predominante entre os órgãos eletrônicos), desenvolvido para quem comprava o instrumento, foi outro auxílio valioso para dominar as técnicas do instrumento. Aos dez anos ele estava pronto para seus primeiros bailinhos de aniversário e casamento.
 
Músico precoce de bailes, André desenvolveu a capacidade de aprender rápido, característica que o acompanha até hoje. "Sou um músico predominantemente autodidata: na orquestração, arranjo, composição e em todos os instrumentos auxiliares que toco, como violino, viola, flauta, contrabaixo, bateria... Nunca fiz muitos exercícios de técnica pianística como Hanon ou Czerny, nunca fui disciplinado o suficiente para isso. Gostava de improvisar mais do que tudo, desde cedo essa vontade existia em mim. Muito antes até de saber o que era jazz". 
 
A rapidez com que André se estabelece é recorrente em sua carreira. Se na infância entrou no universo da música conduzido pela família e aos dez anos se tornou músico de baile, recém-saído da adolescência teve a oportunidade de conviver com nomes ilustres da música brasileira, verdadeiros mestres de competência e generosidade. Aliás, André parece atrair parceiros com essas qualidades. Da convivência com Moacir Santos diz que guarda a grande alma, a genialidade e a candura. Com o maestro Gil Jardim, aos 19 anos, descobriu os segredos dos arranjos orquestrais. Roberto Sion, outro descobridor e lapidador de talentos, o levou para tocar em sua big band. Nando Leal introduziu André ao mundo do jazz por intermédio de discos e apresentações dos principais pianistas do gênero. De cada um André aproveitou ensinamentos especiais que definiram seu objetivo como músico: "emocionar as pessoas com a música, mover espíritos."

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