Pesquisar músicos:
Cesar Camargo Mariano
Antônio Cesar Camargo Mariano
* 19/09/1943 São Paulo, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
emailwebsite

Formação

A música esteve presente na família de Cesar Camargo Mariano desde seus bisavós. Seu pai estudou piano por nove anos e se formou como professor de música, apesar de nunca ter exercido a profissão. Sua mãe gostava muito de música, especialmente de jazz, "e cantava muito bem. Às vezes, quando íamos à casa de alguns amigos onde houvesse um piano, meu pai tocava e minha mãe cantava canções brasileiras e standards americanos."

"Todas as noites, após o jantar, tocávamos, cantávamos, ouvíamos e falávamos sobre música e artes relacionadas, como cinema e teatro. Música erudita e trilhas sonoras de cinema eram os pratos preferidos da família."

Algumas das lembranças musicais mais antigas de Cesar são do tempo em que moravam em São Vicente, no litoral paulista, quando tinha cerca de seis anos de idade. Seus pais ficaram amigos da família dos Moura, pais do cantor Mauricy Moura e de outros dois filhos músicos. Um deles tinha um regional bastante popular em Santos que ensaiava na casa de Cesar, todos os dias.

"Por causa dele, todos os músicos e cantores famosos, quando estavam em São Paulo, iam a São Vicente e acabavam se reunindo lá em casa para tocar: Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Dino Sete Cordas, Meira, Canhoto com seu regional, Chiquinho do Acordeom, Fafá Lemos, Antônio Rago, Linda Batista, Dóris Monteiro e outros. Eu, quando voltava da escola, depois de almoçar e de fazer as tarefas, ficava ouvindo e vendo, fascinado, aqueles músicos tocando e cantando. Era tudo muito bonito, um grande aprendizado, bastante divertido e inesquecível.

Cesar, cuja formação deu-se de maneira completamente autodidata, conta como foi um de seus primeiros contatos com seu instrumento:

"Meu pai, por problemas financeiros, teve que vender seu piano quando era ainda solteiro, e ficou 21 anos sem o instrumento. Quando eu tinha quase 13 anos, nós nos mudamos de volta para São Paulo e, alguns meses depois, na véspera do meu aniversário, ele fez um bom negócio e me deu um piano de presente. Eu nunca tinha tido contato com o instrumento; só tinha visto de perto na casa de meu tio, onde meu pai ia às vezes para tocar, mas criança não podia pôr a mão.

Fiquei espantado com aquele móvel bonito que estava desmontado. Então, sentei-me no chão da sala e fiquei assistindo à montagem do piano, feita por um técnico, o afinador e meu pai. Quando tudo acabou, levantei-me do chão e fui até meu pai para saber se podia mexer naquilo. Ele consentiu. Sentei-me e comecei a tocar melodias que me vinham à cabeça e temas que gostava de ouvir. Meu pai teve um principio de enfarte. Foi hospitalizado. Quando voltou do hospital, disse que eu tinha que estudar música e que ele estava disposto a me ensinar.

Tentamos. Ele queria me ensinar, explicar teoricamente o que eu estava tocando instintivamente. Mas como pai, empolgava-se com minha musicalidade e um belo dia me disse, emocionado: ‘Você nasceu pronto. Não tenho como te ensinar. Vá para a vida.’

E fui. No ano seguinte, aos 14 anos, fiz meu primeiro concerto de jazz com o grupo da trombonista Melba Liston, no Rio de Janeiro, profissionalizei-me como músico e nunca mais parei."

Cesar Camargo Mariano assim descreve uma das figuras decisivas em sua formação:

"Houve uma pessoa que, silenciosamente, apenas por suas atitudes, influenciou-me profundamente, desde a postura diante da arte e da profissão até a percepção das cores e das formas das harmonias, da importância das intrumentações, das combinações de sons entre os instrumentos, enfim, de como ouvir e sentir música. Ele não deve nem saber disso, poucas vezes falamos no assunto. Mas durante alguns anos em que morou na casa de meus pais, pude observá-lo compondo, tocando, escrevendo músicas e letras, errando, acertando, cantando, ouvindo, assistindo a filmes e peças de teatro, lendo livros... Seu nome é Johnny Alf." 

Como autodidata, o aprendizado de Cesar Camargo Mariano deu-se no exercício da música: primeiramente em bailes e clubes de jazz, depois nos estúdios e palcos. "Mais tarde, pela nescessidade de escrever arranjos, aprendi a ler e escrever música pesquisando sozinho. São coisas que devem estar nos livros, mas nunca tive tempo de olhar pra eles."

Contato

Todos os direitos reservados (c) 2008 - 2009
Banco de Música Serviços de Comunicação e Cultura Ltda.