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Egberto Gismonti
Egberto Gismonti Amim
* 05/12/1947 Carmo, RJ, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.

Formação

 

O avô materno de Egberto, o italiano Antônio Gismonti, era compositor e pianista. Teve nove filhas e dois filhos “todos muito musicais, afinados e com alguma formação musical. Um deles, meu ídolo, tio Edgard, clarinetista, mestre de banda e compositor oficial da cidade do Carmo, onde nasceram os filhos e muitos netos dos filhos do avô Antônio.”
 
São já de sua primeira infância as lembranças musicais mais remotas de Egberto Gismonti.
 
Lembro de estar no coreto da praça do Carmo e tio Edgard pedir que eu entregasse as partituras para os músicos: ‘Betinho, entrega pro caixa, pra flauta e pro clarinete’. Lembro do orgulho que tinha pela sensação de proximidade e importância para meu tio – deveria ter uns cinco ou seis anos. Lembro de estar brincando diante da garagem, em frente ao longo caminho de pedras e grama que começava no portão da entrada de carro perto da calçada. Num certo momento, minha mãe me chamou e disse: ‘Betinho, vem conhecer sua professora de piano – Dona Elza Xavier de Brito’. Lembro até das roupas que elas usavam, esse momento é definitivo para que a música resida na minha alma – deveria ter seis anos.”
 
Mesmo antes da professora, Egberto já tocava piano. “Minha irmã Miriam, um ano mais velha do que eu, começou a estudar antes e eu fui tirando algumas coisas de ouvido. Isso impressionou os meus pais, que decidiram me levar à D. Elza Xavier de Brito. Acho que comecei a ‘mexer’ no piano com cinco anos e a estudar com seis.”
 
Seus principais professores de piano foram Elza Xavier de Brito – “os primeiros nove anos de piano feitos no Conservatório Brasileiro de Música, na sede de Nova Friburgo, onde morei muitos anos” -, Dulce Vaz Siqueira e Aurélio Silveira.
 
Gismonti não se lembra dos primeiros métodos de piano que utilizou, “mas os intermediários estudos de piano, ‘Beringer’ (Oscar Beringer, “Estudos Técnicos Diários”, Ed. Irmãos Vitale) e ‘Pischina’ (Johann Pischina, "60 Progressive Exercises - parte 1 e 2" - www.pianomusicplus.com/pischina) estão presentes até hoje no meu dia a dia pianístico.”
 
Sobre o que ficou de mais agradável e de mais útil entre tudo o que aprendeu: “O estudo de piano ou o estudo de música passaram a representar os fatos mais agradáveis na minha vida. Tive a extrema sorte de ser ensinado por pessoas competentes e sábias. A matéria mais importante sempre foi ‘gostar da música’. De útil, a energia que a música injeta na minha vida cotidiana e na minha saúde.”
 
Muitas pessoas” foram decisivas na formação musical de Egberto Gismonti. “Sou um curioso que permite que a melhor expressão que tenho, a música, seja influenciada por pessoas voltadas à música, à literatura, à filosofia, a outras formas de expressão.”
 
Em que pesem os nove anos de Conservatório musical e os professores já citados por Gismonti, ele foi autodidata no que diz respeito a outro instrumento que toca.
 
Na realidade, o que exercitei sozinho, de forma autodidata, foi a transferência do estudo do piano para o violão. Morando em Nova Friburgo eu não poderia estudar violão, já que não existiam escolas. Daí, usei os princípios técnicos do estudo de piano, e das matérias paralelas ao estudo tradicional de piano, como teoria musical, solfejo, harmonia, contraponto, composição, orquestração, etc., na criação de um método pessoal para estudar violão. Evidentemente que na época eu achava que fosse normal essa transferência. Mais tarde, fui descobrindo que não acontecia com todos os músicos. Um exemplo objetivo deste estudo aconteceu quando conheci Baden Powell, lhe disse que tocava suas músicas, e ele pediu que as tocasse. Como eu havia tirado de ouvido todo o repertório do LP ‘O Mundo Musical De Baden Powell’ (Barclay/RGE, LP/1964, CD/2002) e escrito as partituras para estudar, as tocava exatamente como ele - se eu não tinha a técnica, tinha o conhecimento de todas as notas que ele tocara. Ele me perguntou muitas vezes quem tinha me ensinado e eu dizia ‘tirei do disco’... O resumo disso é que, além da minha admiração e respeito, nos tornamos amigos inseparáveis.”
 
Além de Baden Powell, são muitos os músicos com quem Egberto conviveu e convive que ele considera importantes em sua formação e trajetória musicais.
 
Tenho muitos amigos que me ensinaram muitas coisas. Para citar somente alguns: Sérgio Barrozo, Wilson das Neves, Robertinho Silva,  Peter Dauelsberg, Luiz Alves, Mário Tavares, Benito Juarez, Nivaldo Ornelas, Mauro Senise, Zeca Assumpção, Nando Carneiro, Jaques Morelenbaum, Nenê, Naná Vasconcelos, Zé Eduardo Nazário, Airto Moreira, etc. Todos esses e outros tornaram possível e verdadeira a música que faço desde o início de minha carreira. A eles agradeço todos os dias.”
 

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