Formação
Dentro da casa de Fernando Corrêa havia sons de acordeon, seresta, flauta e vozes de crianças aprendendo a cantar.
“Meu pai foi músico profissional como acordeonista e me influenciou e incentivou a ingressar na música. Ele foi o meu primeiro professor. Meu avô paterno era seresteiro e minha tia, irmã do meu pai, tocava flauta e ensinava canções para seus sobrinhos”.
Nas lembranças mais antigas de Fernando, a música na casa começava logo de manhã. “Quando eu ainda nem tocava, eu acordava cedo e ficava ouvindo música dos vinis na vitrola que tinha lá em casa”.
Aos 12 anos, ele arriscou seus primeiros acordes no violão. “Comecei a tocar violão de forma mais descontraída. Aos 15 anos fui estudar violão clássico. A partir daí levei a música a sério”.
As primeiras aulas Fernando teve com o pai e com a professora Elza Moretti em Americana (SP), onde morava. Em seguida o estudo da música o levou à primeira mudança de cidade. “Fui para Campinas estudar com o professor Milton Nunes no Conservatório Carlos Gomes, onde me formei. Aos 19 anos tive aula de guitarra, por um ano, com o professor e amigo Conrado Paulino.
A segunda mudança já foi para bem mais longe. “Aos 25 anos fui morar em Graz, na Áustria, onde me formei em performance em guitarra jazz com o professor foi Harry Pepl. Outro grande mestre que tive na Áustria foi Heinz Czadek, professor de harmonia e arranjo. Atualmente tenho tomado aulas particulares de orquestração com o arranjador Rodrigo Morte”.
Em sua formação, Fernando confessa que nunca se apegou a nenhum método escrito. “Nunca fui muito de estudar por métodos, prefiro fazer transcrições de solos e a partir daí estudar uma infinidade de coisas como, por exemplo, prática de acuidade auditiva, escrita, rítmica, harmonia, aplicação de escalas e técnica. Gosto também dos playbacks para improvisar”.
Essa tendência de Fernando é confirmada quando ele fala sobre os aspectos relevantes de seu aprendizado. “Sempre procurei praticar de uma forma direcionada e objetiva. Assim sendo, poderia dizer que tudo que pratiquei e pratico procuro absorver”.
Por isso, alguns dos nomes mais importantes na formação de Fernando vieram dos discos que ele ouviu e shows a que assistiu. “Na música brasileira, por exemplo, gosto muito de João Gilberto, Tom Jobim, Edu Lobo, Hermeto Pascoal e Vinicius Dorin, entre muitos outros. No jazz, adoro John Coltrane, Miles Davis, Bill Evans, Herbie Hancock, Chris Potter e, entre os guitarristas, admiro muito Wes Montgomery, Joe Pass, George Benson, Ed Bickert, Pat Martino, Pat Metheny, John Scofield e os mais contemporâneos Adam Rogers, Kurt Rosenwinkel, Nelson Veras. Com certeza cometi alguma injustiça, pois há ainda uma infinidade de músicos que admiro”.
Foi por meio das músicas desses artistas que Fernando se desenvolveu como autodidata. “Sempre gostei de tirar harmonias de ouvido. Um disco que eu ouvia muito na minha adolescência era o ‘Chega De Saudade’, de João Gilberto (Odeon, LP/1959), além de outros inúmeros discos da MPB. Eu buscava reproduzir o violão que eu ouvia dos mestres e desta forma aprendi muito”.
Além do aprendizado dos discos, Fernando também teve e tem a oportunidade de, desde a casa até os palcos, conviver com músicos que tiveram grande influência em sua formação. “Primeiramente meu pai, este que me mostrou os prazeres da música. Como músico profissional também há vários nomes: Vinicius Dorin, Nenê, Roberto Sion, Liliana Bollos, Cyro Pereira, João Mauricio Galindo, Gabriel Bahlis, Toniquinho e Rogério Boccato”.