Formação
Henrique Cazes cresceu ouvindo suas avós tocando piano, o pai tocando violão e compondo, e a mãe cantando. "Tudo isso sempre foi feito sem estudo formal, nem intenção de profissionalização."
Numa família tão musical, as primeiras lembranças de Henrique, brasileiramente, ligam a música ao futebol. "Na Copa de 1962, todos cantando a marcha 'A taça do mundo é nossa' e a Rua Dias da Cruz, a principal do subúrbio do Méier, com carnaval no meio do ano."
Aos seis anos de idade, Henrique começou a tocar violão, "copiando o que meus irmãos mais velhos tocavam e, também, imitando quem tocava violão na TV. Só fui estudar música aos 21 anos, mesmo já sendo profissional desde os 17."
"No meu aprendizado de autodidata, o mais importante foi 'tirar' de ouvido solos e acompanhamentos de gravações. Nunca usei livros até os 21 anos, quando aprendi leitura musical. Estudei com Ian Guest percepção e harmonia funcional e, posteriormente, com Alceu Bochino, instrumentação e regência."
Deste aprendizado, o que ficou de mais agradável e útil para Henrique Cazes foi "ter desenvolvido o ouvido harmônico e ser capaz de acompanhar, mesmo músicas que não conheço, de primeira."
E mais do que qualquer professor, o grupo Os Novos Baianos foi decisivo para a formação musical de Henrique, "pois foi por causa deles que fui tocar cavaquinho e acabei me apaixonando pelo instrumento."
Embora tenha estudado harmonia funcional, percepção, instrumentação e regência com professores, "no que diz respeito aos instrumentos que toco - cavaquinho, violão, violão tenor, viola caipira, banjo e guitarra elétrica -, meu aprendizado foi cem por cento autodidata."
"Adaptei ou criei exercícios que via outros músicos, de outros instrumentos, fazendo e, daí, fui desenvolvendo um método pessoal, voltado para a evolução técnica nos diversos instrumentos. Na parte aplicada especificamente ao cavaquinho, essa metodologia acabou gerando o livro 'Escola Moderna do Cavaquinho', lançado em 1988" (Editora Lumiar).
Henrique Cazes elege o bandolinista Joel Nascimento e o maestro e compositor Radamés Gnattali como os músicos mais importantes para o músico que ele é hoje.
"Joel Nascimento foi meu professor informal de palheta e de estilo. Com ele aprendi a tirar um som de boa qualidade no cavaquinho. Outro convívio decisivo foi com Radamés Gnattali, tanto na questão de arranjos, quanto nos procedimentos éticos da profissão."