Pesquisar músicos:

Arthur de Faria
* 14/12/1968 Porto Alegre, RS, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor, ensaísta.
emailwebsite

Antes de Arthur de Faria não havia nenhum músico em sua família mas, sim, "gente que gostava muito de música." 

"Numa casa onde não se ouvia rádio mas discos, eu cresci com o melhor da MPB dos anos de 1970: Elis Regina, Milton Nascimento, Tom Jobim, Chico Buarque e, também, Mercedes Sosa, Astor Piazzolla... Atravessando a rua, a mesma coisa na casa de meu avô materno: Mercedes Sosa também tinha, mas aí o quadro se completava com muito tango e muita música brasileira dos anos de 1930, 40 e 50. Só o melhor: Elizeth Cardoso, Francisco Alves, Jacob do Bandolim... e muita trilha de filmes."
 
Filho único, Arthur tinha dos adultos à sua volta a total disponibilidade para, entre muitas outras coisas, ouvir música com ele. E neste aspecto, suas lembranças musicais mais antigas são "eu ouvindo discos com minha mãe ou meu avô; nunca os dois juntos, porque os gostos eram incompatíveis. E indo a muitos shows com meu pai e minha mãe. O primeiro: os gaúchos folk/folclóricos Almôndegas, lançando seu primeiro LP, no Teatro Leopoldina, em 1975. Eu tinha seis anos. Os seguintes também foram dos Almôndegas."
 
Matriculado em um colégio de freiras, o Dom Feliciano, na cidade de Gravataí – a 25 minutos de Porto Alegre -, onde se criou, Arthur começou a estudar música tocando tarol na banda da escola.
 
"Isso foi aos 10 anos, por aí. Logo depois, aos 11 pra 12, comecei a estudar violão com um velho chorão de lá. Com 12, comecei a compor e montei um grupo pra tocar minhas músicas: muitos violões de aço, nylon, 8 cordas, 12 cordas, percussão de efeitos, vozes, flautas doces... Se chamava 'Musical Nascente' e o mais velho tinha 19 anos. Eu tinha uns 13, por aí, quando alguém da turma chegou com o 'Clara Crocodilo', LP do Arrigo Barnabé. (n.e.: primeiro disco do compositor, lançado em 1980, em produção independente, e relançado em CD em 2000 pela Thanx God Records). Pra mim foi decisivo. Resolvi entrar na escola de música da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) pra aprender teoria. Um dos motivos era entender como funcionava aquilo."
 
Arthur de Faria estudou durante cinco anos com os professores da escola de música da OSPA. Entre eles, Denise Frederico e o maestro Nestor Wernholz – "fundamental na minha formação".
 
"Depois, estudei harmonia, contraponto e fuga com o professor Cláudio Bonder; piano com Dúnia Elias e Hubertus Hoffmann - mas poucos meses com cada um -; ritmos latinos e piano com o argentino Sérgio Olivê e, recentemente, orquestração com o maestro Antônio Carlos Borges Cunha."
 
Com tantas matérias, além do instrumento em si, Arthur de Faria estudou em alguns métodos específicos e se lembra, entre eles, dos livros de teoria de José Eduardo Gramani e de Bohumil Med, além do tratado de harmonia de Paul Hindemith e do tratado de orquestração de Rimsky-Korsakov. E, para o piano, os métodos Bartók e Hanon.
 
"Uma das lições mais úteis está no tratado de Rimsky-Korsakov: tentar sempre escrever o mais simples possível. Não que eu faça isso, mas busco isso. Outra, veio do maestro Antônio Carlos Borges Cunha: escrever o mais detalhadamente possível, pra que o músico saiba o mais claramente possível a tua intenção. E a grande lição veio do professor de ritmo e composição da escola da OSPA, Nestor Wernholz: sempre buscar o regional para ser universal."
 
Indagado se, em toda esta formação musical, houve alguém decisivo, alguém mais importante do que todos...
 
"Como professor, o supracitado Nestor Wernholz, depois endossado e intensificado por Sergio Olivê. Como audição, todos os caras que também me influenciaram como compositor, que eu cito adiante. Todos, sem exceção, mas com alguma hierarquia, foram decisivos e influentes no que eu componho, na forma como eu faço arranjos, no meu cantar, no jeito que eu toco."
 
... e se houve espaço para o auto-didatismo...
 
"Eu aprendi muito mais sozinho do que com professores. Piano, por exemplo, se juntar todas as aulas, de diferentes professores, não dá seis meses. O meu grande aprendizado sempre foi com os grupos para os quais escrevi música. E as orquestras para as quais tenho a sorte de arranjar. O que eu mais aprendi, nesses casos, foi a usar a borracha, diminuir a quantidade de notas, escrever para as regiões mais confortáveis dos instrumentos, descobrir onde eles soam mais de acordo com o que eu quero que soe - o que, muitas vezes, é desconfortável, mas aí é por opção estética, não por ignorância técnica minha. Aprendi muito a escrever para orquestra escrevendo, ouvindo e escrevendo de novo. Para grupos, a mesma coisa: escrevendo, ensaiando, reescrevendo."
 
É longa e diversificada a lista de Arthur de Faria em relação aos músicos com os quais conviveu e convive e que foram importantes para o músico que ele é hoje.
 
"Aprendi muito e fui muitíssimo influenciado por Nico Nicolaiewski (RS) – mais - e Vitor Ramil (RS) – menos - como compositores, cantores, administradores de carreira. Com Vitor, profissionalmente, mais à distância porque trabalhamos pouco juntos. Já o Nico mais de perto: toquei na sua banda, produzi seu primeiro disco.
 
Aprendi a escutar jazz com meu colega de banda, o saxofonista, e amigo de quase 20 anos, Sérgio Karam (RS). Aprendi a escutar rock com o guitarrista, meu colega de banda e amigo há 25 anos, Marcão Acosta (RS). Aprendi que a gente tem que escrever direito com meu colega de banda, o fagotista, e amigo há 15 anos, Adolfo Almeida Jr. (RS). Aprendi muito sobre a vida e sobre como me relacionar com as culturas populares com meus amigos Benjamim Taubkin (SP) e Siba (PE). Aprendi a buscar a simplicidade sem ser bobo com amigos compositores pop, como John Ulhoa (MG) e Cláudio Levitan (RS). Aprendi a buscar o mínimo com meu colega de produção de discos e de um efêmero duo, Fernando Pezão (RS). Uma vez, muito tempo atrás, li uma entrevista do Pat Metheny em que o conselho que ele dava para um músico era o de sempre montar uma banda com gente melhor do que ele próprio. Foi o que eu fiz toda a minha vida. Todos os instrumentistas de todas as formações do Arthur de Faria & Seu Conjunto, nascido em 1995, tocam um pouco melhor, muito melhor ou muitíssimo melhor do que eu. No começo, todos eram muito mais profissionais do que eu. Isso me ensinou muito. Tocar com músicos de outros países e outros gêneros também ensina muito sobre sotaques." 
Leia mais...

Contato

Todos os direitos reservados (c) 2008 - 2009
Banco de Música Serviços de Comunicação e Cultura Ltda.