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Jacob do Bandolim
* 14/02/1918 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
† 13/09/1969 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Instrumentista, compositor.
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Não havia músicos na família de Jacob. Os primeiros registros sobre seus contatos com a música falam de um coral orfeônico na escola primária, do qual Jacob fazia parte. Mais adiante, no ginasial e comercial, "... levava uma gaitinha-de-boca pra distrair os colegas, entre um banho de piscina e outro", como contou em depoimento ao Museu da Imagem e do Som.

Seu primeiro instrumento foi um violino, que ganhou aos 12 anos. Sem intimidade com o arco, usava um grampo de cabelo como palheta e, segundo se conta, arrebentava as cordas ... mas logo trocou o violino pelo bandolim (o bandolim e o violino têm cordas com a mesma disposição e a mesma afinação), e o grampo de cabelo pela palheta de verdade.

Jacob aprendeu a tocar praticamente sozinho, executando ao bandolim as melodias que ouvia em casa e na rua. O primeiro choro que escutou, e do qual nunca se esqueceu, chamava-se "É do que há", do chorão e clarinetista Luis Americano. Isso foi aos 13 anos. Sua família era vizinha da diretora de uma das maiores gravadoras da época, a RCA Victor, em cuja casa músicos e cantores se reuniam para tocar e cantar. Certamente, não foi esse choro a única música que Jacob ouviu pela janela ...

Já aos 15 anos Jacob se apresentava no rádio, tocando também violão e cavaquinho, e logo depois guitarra portuguesa, com a qual acompanhava músicos de fado. Há muito pouca informação sobre a fase de aprendizagem de Jacob, mas é bastante provável que, como era costume, ele tivesse sido "adotado" por músicos mais experientes, orientado e aconselhado nas técnicas do instrumento e nos conhecimentos musicais.

O fato é que não se tem notícia de qualquer estudo sistemático. Sua formação foi essencialmente autodidata, até 1948, quando decidiu que precisava se aprofundar em escrita e teoria musical, e buscou a ajuda do professor e compositor Dalton Vogeler.

A necessidade de estudar tornou-se imperiosa quando Radamés Gnattali dedicou a ele a suite "Retratos", em 1958. "Retratos" é uma peça complexa, para bandolim, regional e orquestra, na qual cada movimento homenageia um dos quatro compositores que Radamés considerava geniais e fundamentais na formação de nossa música instrumental: Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga.

Este trecho de uma carta enviada por Jacob a Radamés ilustra o tamanho do desafio (Jacob só veio a executar "Retratos" ao vivo em 1964):

"Meu caro Radamés,

Antes de Retratos, eu vivia reclamando: "É preciso ensaiar...". E a coisa ficava por aí, ensaios e mais ensaios.

Hoje minha cantilena é outra: "Mais do que ensaiar, é necessário estudar". E estou estudando. Meus rapazes também (o pandeirista já não fala mais em paradas). "Seu Jacob, o senhor aí quer uma fermata? Avise-me, também, se quer adágio, moderato ou vivace...". Veja, Radamés, o que você me arrumou. É o fim do mundo.

Retratos: valeu estudar e ficar todo fechado dentro de casa durante todo o Carnaval de 1964, devorando e autopsiando os mínimos detalhes da obra, procurando descobrir a inspiração do autor no emaranhado de notas, linhas e espaços e, assim, não desmerecer a confiança que em mim depositou, em honraria pródiga demais para um tocador de chorinhos.".

[...]

E se hoje existia um Jacob feito exclusivamente à custa de seu próprio esforço, de agora em diante há outro, feito por você, pelo seu estímulo, pela sua confiança e pelo talento que você nos oferece e que poucos aproveitam.

Meu bom Radamés: sinto-me com quinze anos de idade, comprando um bandolim de cuia e um método simplório na loja do Marani & Lo Turco, lá no Maranguape. Vou estudar bandolim.
"
Por volta dessa época, recorreu a Chiquinho do Acordeom para estudos de teoria musical.


Outros músicos foram muito importantes para sua formação. Jacob conta que Benedito Lacerda foi quem chamou sua atenção para a organização do conjunto, "...organização essa que eu sempre procurei imitar, uma disciplina férrea. Deixar de ter, no regional, aquela figura distorcida, do homem embriagado, instrumento mal apresentado, sem disciplina, sem ensaio, fazendo as coisas a trocho e mocho ". – afirma.

Como também Pixinguinha, um dos pais do arranjo brasileiro, autor de músicas eternas, amigo da vida inteira e, juntamente com Ernesto Nazareth, o compositor que Jacob mais gravou e executou ao vivo.

De Ernesto Nazareth, compositor de "tangos brasileiros" que Jacob trouxe para o universo do choro, comentou: "... para mim Nazareth constituiu, em cada compasso, uma aula de música.".

Não se deve esquecer o fato de que Jacob foi um estudioso, pesquisador e colecionador metódico do choro, desde suas origens, no século XIX. Tocar e adaptar a obra desses compositores para o bandolim, conviver com suas técnicas e estilos, foram elementos fundamentais na formação de Jacob do Bandolim.

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