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João Donato
João Donato de Oliveira Neto
* 17/08/1934 Rio Branco, AC, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
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Formação

Rigorosamente, minha família não tem uma relação acadêmica com a música, mas eu presto atenção nas pessoas, muitas vezes nas horas em que elas estão distraídas. E eu reparei que a minha mãe cantava muito, o tempo todo, às vezes coisas que ela inventava, algo bastante intuitivo. Não era algo que ela escutava no rádio ou na vitrola. E eu aprendi muito nessas horas. Meu pai estava sempre conectado com o que acontecia no centro do País. Ele voltava do Rio de Janeiro, de compromissos profissionais, sempre com algum disco novo e mostrava para os amigos e vizinhos. E eu ali, prestando atenção a tudo.”

A primeira emoção musical de que João Donato se lembra foi causada por uma obra do violinista e compositor austríaco Fritz Kreisler (1875-1962), cujo título em português é “Tristeza de nós dois”.
 
Menino, eu mexia na vitrola dos adultos e punha essa música seguidas vezes para ouvir. Também tinha a banda do quartel, que tocava marchas militares. Eu prestava muita atenção.
 
Eu ouvia, também, as músicas que tocavam no rádio; aqueles sucessos de Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Daniel Borba, Carlos Galhardo, aquela turma, antes da televisão. Essas músicas tocavam numa rádio do Acre, chamada ‘A voz da selva’. Era muito bolero, tango, música francesa... Quando minha família mudou-se para o Rio de Janeiro, eu comecei a me envolver com os músicos. Formamos o Sinatra-Farney Fã Clube, de fãs de Frank Sinatra e Dick Farney, na Tijuca, onde eu morava. No tempo em que não existia tecnologia para envio de arquivos de áudio pela Internet, nos reuníamos no clube para escutar os discos raros de jazz que chegavam trazidos por parentes que viajavam para os EUA. Trocávamos muita informação, estávamos muito conectados ao cinema, que antecipava as gravações.”
 
Donato começou a tocar e a aprender música por volta dos sete anos de idade.
 
As primeiras noções quem me deu foi um sargento da Banda Militar do Acre. Meu pai era major, pediu ao sargento para me ensinar. Ele me ensinava aquele negócio de dó-ré-mi-fá-sol: dóóóóó, rééééé, miiiii.
 
Eu estudava numa escola pública de Rio Branco e, de vez em quando, o pessoal me via assoviando, batendo na panela e tocando flautinha de lata. Um dia, aprendi uns acordes de cavaquinho. Depois, passei a tocar harmônica de ouvido e uma sanfona, que ganhei no Natal. Então me arrumaram uma professora de música, mas eu faltava sempre às aulas. O que sei é que a música tocava no rádio e, depois, eu estava tocando também.
 
Depois, quando me mudei para o Rio, estudei com um professor que o Bené Nunes me indicou, o professor Werther. Nos Estados Unidos, voltei a estudar. Estudava e parava porque a todo momento eu tinha que viajar ou passar a noite tocando, ainda não me estabelecera completamente.
 
Até hoje eu estudo piano e orquestração e tenho os meus próprios métodos ou manias.
 
Donato lembra-se de ter estudado nos métodos “O Pianista Virtuoso” (Ed. Irmãos Vitale), de Hanon, e “Estudos para Piano” (Ed. Ricordi), de Carl Czerny.
 
Para ele, o que ficou de mais útil e agradável de seu aprendizado foi a percepção acerca do “bem-estar que a música causa em quem toca e em quem ouve; aí, depende de qual música estamos falando. Mas isso é outra história.”
 
Fundamental mesmo em sua formação musical, conta Donato, foi sua família.
 
A começar pelo meu pai que, mesmo preocupado com a minha educação formal, permitiu que eu deixasse o colégio para me dedicar unicamente à música. Ainda me lembro das palavras dele: ‘Se é para fazer, faz bem feito’. E foi o que eu procurei fazer desde sempre. Minha irmã Eneyda foi fundamental para a minha decisão de ser músico, antes que eu tivesse consciência do que isso significava. Eu tinha uns quatro, cinco anos, e ela – três anos mais velha – ficava estudando piano na sala. Eu acordava com aquele barulhinho de estudos de Hanon. Freqüentava aquelas festinhas do interior nos sábados e domingos e queria tocar com os músicos; e, quando vi, estava tocando as teclas do piano; depois, ganhei um acordeon de 24 baixos num Natal e comecei a tocar para valer. Minha primeira apresentação pública foi num circo que apareceu no Acre e eu fui tocar para a bailarina.”
 
Não são poucos, ao longo da trajetória de João Donato, os músicos que foram importantes para ele.
 
Dick Farney, Johnny Alf, João Gilberto, Tom Jobim, Edson Maciel, Milton Banana, Nanai, Cal Tjader, Bronislaw Kaper, Mongo Santamaria, Bud Shank, Chet Baker, Horace Silver: “Meus parceiros, meus intérpretes, arranjadores, todos eles me influenciaram e deixaram alguma marca no meu trabalho. Isso sem falar naqueles que não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, de estar junto, como Claude Debussy, Maurice Ravel, Igor Stravinsky, Shorty Rogers, Frank Rosolino, etc.”

 

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