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João Paulo Amaral
João Paulo do Amaral Pinto
* 19/12/1977 Mogi das Cruzes, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor.
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Formação

 

A música foi elemento essencial e onipresente na família do garoto João Paulo 

“Em casa, sempre ouvi meu pai e minhas irmãs cantando. Minha mãe também sempre cantou no ouvido de todos. Ela ouvia música clássica também. Tinha um piano e minhas irmãs tocavam e cantavam, a Ana Luiza, a Paula Maria e, depois, a Juliana. Elas também tocavam um pouquinho de violão. Meu pai adorava ouvi-las e sempre cantou bastante. Ele começou a aprender a tocar violão quando eu era garoto. Tinha, ainda, o meu primo Heraldo e o meu cunhado Omar. Os dois tocavam violão e cantavam com minhas irmãs. Nesse ambiente é que eu comecei a cantar um pouquinho e a tocar minhas primeiras notas”.
 
Até os 10 anos, tocar violão foi uma das brincadeiras mais constantes de João Paulo. Aos 11, a relação ficou mais séria.
 
“Com uns 11 anos, tive algumas poucas aulas de violão erudito com um professor que, depois vim a saber, era um nome reconhecido no meio do ensino do violão, Vital Medeiros. Mas não fiquei muito tempo, provavelmente por causa da minha ansiedade de criança de querer tocar e de não seguir as etapas disciplinadas do professor. Mas fiz pelo menos mais um ano de aula com um outro professor bacana de violão popular, em que aprendi a tocar 'Aquarela', de Toquinho - achava o máximo fazer aquele solo dele no final - e outras músicas como 'Wave'. Em casa, brincava e tentava improvisar solos no violão com meu amigo Melão que também tocava um pouquinho”.
 
A guitarra elétrica, presente de aniversário de 13 anos, colocou João no caminho das bandas de rock. E a irmã convenceu o pai a mandar o garoto estudar com Mozart Mello em São Paulo. As aulas eram quinzenais, já que a família continuava morando em Mogi das Cruzes, a 60 quilômetros da capital. Assim, João vivia entre dois mundos musicais. “Ao mesmo tempo em que fazia meus primeiros laboratórios de arranjos nas bandas de rock em que tocava, eu acompanhava meu pai nas gravações caseiras e serestas, sambas-canções e músicas caipiras que ele gostava de cantar pelos churrascos e sítios da vida”.
 
Durante algum tempo, a relação de João Paulo Amaral com a música foi diletante. Ele chegou a fazer o curso de engenharia elétrica antes de se decidir. “Quando descobri que meu caminho era música mesmo, em 1997, procurei meu grande amigo e músico Luís Felipe Gama para que me preparasse para ingressar no curso de música popular da UNICAMP. Então, Felipe, além de me dar aulas de teoria, me recomendou a ter aulas de instrumento com o guitarrista Jarbas Barbosa. Foi um ano intenso de estudo e dedicação. Depois, ingressei na UNICAMP e segui meus estudos. Lá, tive professores como Ulisses Rocha, Alberto Trindade e Gogô entre outros”.
 
Em 2000, um ano antes de terminar a graduação, João resolveu comprar sua primeira viola caipira depois de uma conversa com o violeiro Paulo Freire. “Comecei a pesquisar os toques, fase de aprendizado que se intensificou no ano seguinte, quando entrei para a Orquestra Filarmônica de Violas de Campinas, que se formou neste mesmo ano de 2001, sob direção e coordenação de Ivan Vilela, quando pude vivenciar e aprender bastante sobre as linguagens do instrumento”.
 
Tocando com a orquestra, João Paulo sentiu que completava um ciclo que havia iniciado acompanhando o pai, grande conhecedor da música caipira. “Foram minhas principais influências das linguagens caipiras e da viola tradicional”.
 
“O mais agradável é a certeza de que todas as informações aprendidas e estudadas, no final das contas, estão a serviço da criatividade e liberdade do fazer artístico, em que é importante ter a lucidez de que de nada valem todas as informações se não nos empenharmos em encontrar a melhor hora e forma de combiná-las”.
 
João Paulo estudou pela metodologia de professores como Mozart Mello e Jarbas Barbosa e fez o curso de música da UNICAMP. Mesmo assim, o auto-didatismo ocupa um lugar importante na sua formação. “Aprendi muita coisa sozinho, fora dos livros, desde as brincadeiras de improvisar quando ainda era criança até quando já estudava pra valer, ouvindo os discos, buscando, às vezes, imitar os grandes instrumentistas, observando outros músicos, compondo e fazendo meus primeiros arranjos. Aliás, na verdade, nunca tive muita paciência para seguir a rotina dos métodos tradicionais... Queria logo pegar algo novo e quando me dava conta estava brincando e criando com aquela nova idéia”.
 
Mesmo assim, dois mestres e amigos marcaram a formação de João Paulo Amaral. Jarbas Barbosa, com quem aprendi a organizar meu pensamento criativo e minha improvisação e, também, a ter mais rotina de estudo. Com Luís Felipe Gama aprendi muitos elementos sofisticados de arranjo, melodia, harmonia, rítmica, dinâmica, concepção, e aprendi a ter um olhar minucioso, sensível e comprometido com a arte”.

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