Laércio de Freitas nasceu sob o império das cordas. A mãe era violinista e o pai tocava bandolim. Ela estudava música, ele tocava de ouvido.
Encarregada de alfabetizar o filho, ela não perdeu tempo. Junto ao caderno de caligrafia no qual ensinava as letras maiúsculas e minúsculas ao menino havia também um caderno com pentagramas. Assim, ao mesmo tempo em que aprendia o bê-á-bá, aos quatro anos de idade Laércio ia aprendendo, também, o dó-ré-mi-fá.
Antes desta dupla alfabetização, o contato com a música se dava através dos "discos de música clássica que eu ouvia na vitrola do Centro Espírita Allan Kardec e que me impressionavam muito."
Quando alcançou idade suficiente para estudar música a sério, Laércio de Freitas passou a freqüentar o Conservatório Musical Carlos Gomes, em Campinas onde, entre 1949 e 1957, estudou piano com Yolanda Brandão dos Santos, harmonia com Maria Varanda e canto-coral com Eliseu Narciso, além de participar da banda rítmica infantil dirigida por Vilma Coelho.
Entre os métodos de estudo utilizados pelo Conservatório Musical Carlos Gomes, Laércio lembra-se bem do Hanon para escalas, O. Beringer para exercícios técnicos, A. Cortot para prática pianística, Cramer para estudos em terças, Kullak para estudos em terças e oitavas, e os métodos de Czerny e Franz Liszt.
Para Laércio, sem distinções, "todos esses estudos foram muito proveitosos, especialmente a condição pianística adquirida através dos métodos referidos."
É também sem distinções que Laércio fala sobre as pessoas que foram decisivas em sua formação musical: "todas as pessoas com as quais tive contato e que me possibilitaram fazer perguntas, me foram bastantes úteis porque esclareceram dúvidas, ajudando-me a definir métodos, modos, maneira e 'jeitos' de proceder para chegar a bons resultados."
Apesar da formação completa no Conservatório, onde se formou depois de nove anos de estudos, Laércio fez várias descobertas musicais por conta própria e se considera um autodidata na medida em que, a partir daquilo que aprendeu formalmente, ter sido capaz de andar com as próprias pernas.
"Aprendi a tocar piano de uma forma orquestral, fazendo transcrições para o instrumento de peças ditas 'neo-clássicas'. A partir do momento em que concluí que todas as notas que uma orquestra tocava estavam ali, no piano... Então, era só encontrá-las e... pronto!"
Entre os músicos com quem conviveu, Laércio ressalta a importância, para o músico que ele é hoje, de Erlon Chaves e Severino Araújo. Com o primeiro "aprendi a escrever para big band" e, com o segundo, "aprendi a escrever arranjos para tocar em gafieiras".
Laércio ressalta, também, a importância de ter tido uma formação que lhe possibilitou "aprender normas musicais, composicionais, diretrizes estéticas e muito sobre compositores eruditos."