Formação
Luciana Rabello já nasceu com a música gravada em seu sangue.
"Meus avós, tanto paternos quanto maternos, eram violonistas. Não conheci meu avô paterno, mas fui criada na mesma casa em que morava o meu avô materno, José de Queiroz Baptista. Os Baptista são uma tradicional família de cantadores, poetas e repentistas nordestinos. Entre os mais conhecidos estão nomes como Otacílio, Dimas e Francisco Baptista, todos primos do meu avô. Esse avô era professor de música e compositor. Ele ensinou música a todos os nove netos, incluindo a mim."
"Minhas lembranças musicais mais antigas estão na minha infância. Nasci e cresci ouvindo muita música, como era de se esperar na casa de um professor de música. Ouvíamos desde concertos à música folclórica nordestina. Vovô era, também, chorão. Em sua imensa discoteca tínhamos acesso a Jacob do Bandolim, Dilermando Reis, Cyro Monteiro, Ataulfo Alves, Noel Rosa, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dorival Caymmi e tantos outros. Essas foram as minhas maiores referências."
Aos seis anos de idade, Luciana ganhou um violão de seu avô. Foi seu primeiro instrumento e foi o próprio avô quem lhe ensinou os primeiros acordes.
Depois da morte do avô, Luciana estudou piano com a professora Maria Alice Salles, dos nove aos treze anos de idade, e nunca mais teve outro professor. "Daí pra frente, fui autodidata no aprendizado do meu instrumento definitivo, o cavaquinho, e em tudo mais que prossigo aprendendo diariamente."
Com a professora Maria Alice Salles, Luciana se lembra de ter estudado o “Princípios Básicos da Música para a Juventude"(Editora Casa Oliveira de Música), de Maria Luiza Priolli, o “Método completo para Divisão Musical” (Ed. Irmãos Vitale), de Pascoal Bona, e diversos métodos de técnica para piano, como o de Czerny ("Estudos para Piano" - Ed. Ricordi) e "O Pianista Virtuoso" (Ed. Irmãos Vitale), de Hanon, seguindo o modelo adotado pelo Conservatório Brasileiro de Música.
"Com a professora Maria Alice aprendi teoria e a ler música. Com meu avô aprendi a ouvir e a amar a música. Com ele também aprendi o que considero, ainda hoje, o maior ensinamento: que é fazer música para os outros e para o equilíbrio interior."
"Muitas pessoas foram decisivas na minha formação, a começar por meu avô, claro. Com a morte dele, aos meus 9 anos, meus irmãos mais velhos mantiveram o ambiente musical da nossa casa. Especialmente meu irmão Ruy Fabiano, que ocupou o lugar desse avô no que se refere ao cultivo da arte de ouvir música de boa qualidade. Mais tarde, já profissional, Radamés Gnattali ampliou de maneira decisiva os meus horizontes, apontando caminhos até então desconhecidos pra mim. Jaime Florence, o Meira, Waldiro Frederico Tramontano, o Canhoto, Jonas Pereira da Silva, o Jonas, César Faria, Copinha, Abel Ferreira, Dino Sete Cordas, Canhoto da Paraíba e Sivuca foram alguns dos músicos com quem mais aprendi."
"Aprendi a tocar cavaquinho sozinha, ouvindo, imitando e, sobretudo, tocando com esses mestres nas rodas de choro. Mas, aprendi muito também com músicos da minha geração, com quem trabalho há cerca de 30 anos, como Cristóvão Bastos, Maurício Carrilho, Pedro Amorim e Celsinho Silva, além de outros que conheço há menos tempo, como Nailor Proveta e Toninho Carrasqueira."