Formação
Luiz Eça teve formação de piano clássico e teoria musical a partir dos cinco anos de idade.
Em 1958, quando já era músico profissional e se apresentava na noite do Rio de Janeiro, recebeu uma bolsa do Governo brasileiro para aperfeiçoamento em piano clássico e orquestração na Áustria, onde passou dois anos.
Lá, contou entre seus mestres com Friedrich Gulda – grande pianista erudito e um dos raros músicos a fazer carreira tanto nos clássicos quanto no jazz.
Sempre rebelde, Luiz Eça usou uma composição popular – “Duas contas”, de Garoto – para escrever um arranjo de piano e quarteto de cordas no Conservatório de Viena; e, revoltado com a má recepção da sua idéia, resolveu encerrar sua primeira temporada européia.
“Eu expulso a Academia de minha vida”.
Mas essa rebeldia revela um aspecto quase desconhecido de sua formação. Luiz Eça, ainda bem jovem, tornara-se amigo de Garoto e passara a conviver com o círculo do violonista, que incluia Radamés Gnattali, Bené Nunes, Chiquinho do Acordeom e vários chorões. Além do clássico e do jazz, Luiz Eça teve uma forte raiz brasileira.
“Numa tarde havíamos combinado um encontro em sua casa. Fui entrando, chamando por ele [Garoto] e o encontrei morto debruçado sobre o violão. Ele acabara de morrer – em 3 de maio de 1955 – e ainda tinha um sorriso. Infarto fulminante.” (Luiz Eça)
“Sábado, 03 de julho [de 1954]: Luizinho e Candinho estão passando estes dias conosco. À noite, chorinho gostoso com Radamés”. (do diário de Garoto)