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Maurício Carrilho
Maurício Lana Carrilho
* 26/03/1957 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor, ensaísta.
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Formação

Maurício Carrilho já nasceu com seu sobrenome inscrito na história da música brasileira por causa de seu tio, o flautista Altamiro Carrilho. Mas a ligação da família com a música vem de mais longe ainda.

 
"Na família de meu pai, temos conhecimento de músicos nas quatro gerações que antecederam a minha. Eram músicos de banda, em Santo Antônio de Pádua, RJ, e músicos amadores, violonistas, seresteiros, etc. Na família de minha mãe, de Guaxupé, MG, também havia um tio seresteiro. O primeiro músico da família a se profissionalizar foi o meu tio Altamiro. Meu pai, Álvaro, se profissionalizou em música só depois de se aposentar."
 
Portanto, não é de se estranhar que a memória musical mais remota de Maurício esteja ligada exatamente a seu tio.
 
"A Bandinha de Altamiro Carrilho, eu era fascinado por ela. Em 1964, com sete anos, eu comecei a me encantar pelo choro, especialmente por um LP do Altamiro chamado 'Choros Imortais' (EMI-Odeon, LP/1964, CD/1999)."
 
Seria natural, então, que o menino começasse a estudar música tocando flauta. Mas não foi assim.
 
"Comecei estudando piano, aos cinco anos. A professora era uma mala! Me repreendia sempre que eu tocava de ouvido. Fiquei traumatizado com esse instrumento. Com nove anos, tive minha primeira aula de violão com Dino (n.e.: Horondino José da Silva, o Dino Sete Cordas). Um ano mais tarde, fui estudar com o Meira (n.e.: Jayme Florence, o Meira), com quem permaneci até os 15 anos, mais ou menos. Um dia, ele me disse que não precisava mais ter aulas com ele, que eu devia arranjar uns alunos, e que eu estava convidado a ir à sua casa, tocar com ele, sempre que tivesse vontade."
 
"Mais tarde, já profissional, eu estudei violão clássico com João Pedro Borges e harmonia e arranjo com Ian Guest. Cursei, sem me formar, medicina na UEG (UERJ), composição na UFRJ e licenciatura em música na UNIRIO."
 
O método preferido de seus dois primeiros professores de violão – Dino Sete Cordas e Meira – já nasce com o músico e deve ser, apenas, aprimorado.
 
"Com Dino eu não usava nenhum livro. Ele ensinava umas seqüências de acordes que me foram bem úteis pra tocar de ouvido. Meira usava um método de violão que se chamava 'La Escuela de la Guitarra Moderna', de Mario Arenas (7 livros, Editora Ricordi). E na maior parte da aula, que durava três ou quatro horas, tocávamos de ouvido."
 
De seu aprendizado, o que ficou para Maurício de mais útil e agradável?
 
"Aprendi a ler música com Meira, porém o treinamento de percepção feito por ele, em que eu aprendia melodias de ouvido e improvisava harmonias para melodias desconhecidas, talvez tenha sido o mais importante e fundamental para minha formação."
 
Para Maurício, "Meira no violão, no treino rítmico, harmônico, na malandragem de tocar de ouvido e, mais tarde, Radamés Gnattali, pelo aprofundamento da linguagem musical brasileira, pela música de câmera, sinfônica e pelos arranjos", foram as figuras fundamentais em sua formação musical.
 
O auto-didatismo teve lugar nesta formação?
 
"Partindo do treinamento dado por Meira e do incentivo de Radamés Gnattali eu acabei criando minhas coisas, que hoje tento passar adiante como professor."
 
Muitos outros músicos – profissionais ou não – com quem Maurício conviveu e convive foram e são muito importantes para o músico que ele é hoje.
 
"Essa lista é imensa, não pára de aumentar, e vai me obrigar a cometer injustiças, mas vamos lá. Desde meus mestres - Altamiro Carrilho, Meira, Dino Sete Cordas, Radamés Gnattali -, passando por músicos amadores, com quem aprendi e por quem fui incentivado (meu pai, Ricardo Dias e o Dr. Sérgio Régis, estes dois últimos violonistas, foram os mais importantes), até os companheiros de trabalho: Raphael Rabello e Luciana Rabello, João de Aquino, Pedro Amorim e Paulo Sérgio Santos, Arismar do Espírito Santo, Paulo César Pinheiro, Nailor Proveta, Toninho Carrasqueira, Paulo Aragão, Marcelo Bernardes, Pedro Paes, Cristóvão Bastos e Rui Alvim.
 
Com Raphael Rabello e Luciana Rabello percebi que sabia tocar choro. Com João de Aquino aprendi que, ritmicamente, eu tocava um violão diferenciado. Com Pedro Amorim aprendi a tocar em duo. Com Paulo Sérgio Santos aprendi a ensaiar e preparar, cameristicamente, uma peça. Com Arismar do Espírito Santo aprendi a me arriscar, improvisando. Com Paulo César Pinheiro aprendi que teria a responsabilidade, como violonista acompanhador, de representar a escola de Meira e Baden Powell, e o dever de compor. Com Nailor Proveta aprendi a ver nossa música como uma linguagem musical. Com Toninho Carrasqueira eu compreendi que a música, ao contrário dos seres humanos, tem alma. Com Paulo Aragão eu aprendo todo dia. Tudo que deixei de estudar, por negligência ou falta de oportunidade, ele estudou e estuda. Embora seja meu aluno em algumas matérias, é meu principal conselheiro musical nas horas mais difíceis. Com meu pai aprendi a não me sentir nunca melhor ou pior do que ninguém."

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