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Nelson Ayres
Nelson Luiz Ayres de Almeida Freitas
* 14/01/1947 São Paulo, SP, Brasil.
Instrumentista, arranjador, compositor, maestro.
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Formação

A mãe de Nelson Ayres tocava piano amadoristicamente. Já o pai, contador por profissão e fundador de algumas indústrias na São Paulo dos anos de 1920 e 30, não tinha ligações com a música. 

As lembranças musicais mais antigas de Nelson vêm de "Luiz Gonzaga na TV e em discos 78rpm, quando eu era muito criança. Meu maior ídolo até hoje. Também me marcou o show de Louis Armstrong no Teatro Paramount, em 1958. Eu tinha 11 anos e minha mãe me levou. É uma das primeiras lembranças fortes. Lembro que houve uma participação especial do Booker Pittman. Mais tarde me toquei que foi uma das melhores bandas que ele teve em toda sua carreira, e os shows eram jazz tradicional levado a sério, Armstrong cantou muito pouco."
 
A paixão do menino por Luiz Gonzaga fez com que a avó convencesse seu pai a lhe dar um acordeon aos sete anos de idade. Foi o primeiro instrumento de Nelson Ayres.
 
"Minha primeira professora foi D. Arlete - mais tarde mãe do compositor Marcelo Quintanilha, coisa que descobri faz pouquíssimo tempo -, no Conservatório Brasileiro de Harmônica, da família Meirelles de acordeonistas. Com 12 anos, frustrado com o método de ensino do Conservatório, fui estudar piano com Paul Urbach, um húngaro que foi o primeiro professor de piano popular, jazzístico, de São Paulo. Mais tarde fui aluno de piano de Luiz Schiavo."
 
Entre os livros e exercícios a que foi submetido em seu aprendizado, Nelson lembra-se muito bem da didática de seu professor húngaro.
 
"O Paul Urbach escrevia melodias cifradas, o que era uma super novidade na época, e hoje é o material básico de qualquer instrumentista popular."
 
De tudo, o que ficou de mais útil e agradável para Nelson Ayres foi sua primeira e determinante experiência profissional.
 
"Com 14 anos comecei a tocar com meu primeiro conjunto, um grupo de jazz tradicional que existe até hoje, a São Paulo Dixieland Band. Foi minha melhor escola e me levou para o estudo de arranjo: a dinâmica de trabalhar em grupo, o domínio da harmonia em tons difíceis e, principalmente, o gosto pela combinação de instrumentos - o grupo tinha três sopros."
 
Além dessa vivência já aos 14 anos de idade, uma outra teve importância decisiva na formação do músico.
 
"Victor Assis Brasil e eu fomos os primeiros alunos brasileiros do Berklee College of Music, nos EUA, entre 1969 e 1972. Na época, não existiam, no Brasil, escolas de música popular, e a Berklee foi importantíssima para direcionar os conhecimentos empíricos que eu tinha juntado até então, e apontar um rumo para estudos no futuro. Também tive aulas em Boston com uma grande professora de piano, Margareth Chaloff - mãe do saxofonista Serge Chaloff -, importantíssima para uma abordagem técnica do piano."
 
Apesar de todas as aulas, Nelson Ayres se declara um autodidata e, perguntado acerca daquilo que aprendeu sozinho, "tudo; arranjo, a partir das experiências com o São Paulo Dixieland Band; nos muitos bailes em que tinha que improvisar acompanhamento para músicas que nem conhecia, em todos os tons; no piano, os professores foram importantes, mas aprendi mais tocando e tirando músicas de discos, e vendo pianistas tocando em shows e casas noturnas. Não havia a facilidade que existe hoje, a informação era absorvida aleatoriamente e em doses homeopáticas. A Berklee e, mais tarde, a escola de música da ECA/USP, serviram para tapar muitos buracos dessa formação autodidata."
 
Entre os músicos com quem conviveu e convive, importantes para o músico que ele é hoje, "as grandes influências, como pianistas, foram Bill Evans e Luiz Eça. Vi ambos tocarem várias vezes, mas nunca os conheci pessoalmente. Não tive um guru musical. De forma geral, sempre aprendi muito com todos os colegas com quem toquei regularmente. Essa é a grande escola. O maior exemplo disso é que só tive duas aulas de regência – ótimas - com Diogo Pacheco, e me tornei um regente bastante razoável às custas dos colegas músicos da Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo."
 

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