Formação
Os pais de Ulisses Rocha não eram músicos. A influência mais próxima veio do avô, violonista autodidata “mas muito talentoso”. Em sua casa ouvia-se música brasileira, com destaque para Chico Buarque e Elizete Cardoso.
Ulisses começou a estudar aos nove anos, “quando ganhei um violão de presente de minha mãe, que enxergou em mim um possível 'dom' transmitido pelo meu avô. Estudei primeiramente violão clássico com o professor Antônio Manzione, e passei uma boa parte de minha adolescência tirando músicas de ouvido; quase tudo do repertório do rock’n’roll da época”.
O ensino formal iniciou-se em torno dos 16 anos de idade, acompanhado do interesse por jazz e MPB. “Ingressei então na escola do Zimbo Trio, o CLAM (n.e.: Centro Livre de Aprendizagem Musical, fundado em 1973 pelo Zimbo Trio. O CLAM revolucionou o ensino de música instrumental em São Paulo). No CLAM, estudei com Datcha e Cândido Penteado que, mais tarde, vim a substituir no Grupo D'Alma. Posteriormente, tive aulas de análise com Cláudio Leal Ferreira e Ricardo Rizek”.
No violão clássico, o estudo se baseava nos livros de Isaías Sávio; no CLAM, usou o material da própria escola e alguns livros da Berklee School of Music. Mais tarde, para o aperfeiçoamento musical não mais ligado ao instrumento, “Harmonia” de Arnold Schoenberg e “20th Century Harmony”, de Vincent Persichetti.
Apesar do estudo sistemático, Ulisses considera que o legado mais importante e mais agradável dos anos de formação foi a experiência de tirar músicas de ouvido. “Aprendi muito sozinho quando tirava músicas de ouvido. Na verdade, esse tipo de atividade nos leva ao relacionamento real com a música, e aprendemos tudo o que não é teorizado nesse processo, ou seja, tudo o que é mais importante em arte.”
Curiosamente, a influência mais importante nesses tempos de aprendizagem não veio de nenhum professor nem de nenhum músico profissional à época, mas de um amigo de adolescência: “Nico Resende, que me ensinou a escutar de forma correta, ajudou a direcionar minha atenção para a harmonia e, conseqüentemente, para a música brasileira e o jazz. Apesar do Nico ter ficado conhecido como cantor pop, tem um talento incomum e intrigante, que me compelia a acompanhá-lo.”
As influências profissionais são variadas. Convidado por André Geraissati, veio a participar do Grupo D’Alma. “André deu o primeiro grande impulso na minha carreira e tornou-se um grande amigo, cuja experiência prévia me serviu de norte nos primeiros anos de profissão”.
Com Cesar Camargo Mariano excursionou e tocou em dois discos ("Ponte Das Estrelas", CBS, 1986, e "Cesar Camargo Mariano", Chorus Estúdio, 1990); além do aprendizado, Cesar “também contribuiu para a divulgação de meu trabalho de forma decisiva quando inseriu, em seu especial para a TV Manchete, um solo meu executado ao vivo e transmitido em rede nacional”. Egberto Gismonti, além de referência foi um aconselhador e apoiador, “sempre indicando o melhor caminho a seguir”.