Formação
Victor nasceu em “
ambiente musical propicio”, segundo seu irmão gêmeo, univitelino, o também músico
João Carlos Assis Brasil. A avó materna era professora de música e canto orfeônico no Rio Grande do Sul; o pai, funcionário do Banco do Brasil, gostava de ouvir clássicos e as
big bands americanas.
Ainda bem pequeno, começou a estudar música, tocando bateria e gaita de boca. A gaita viria a acompanhá-lo por longo tempo – existem gravações caseiras, de diversas épocas, onde Victor aparece solando na gaita temas jazzísticos e brasileiros, acompanhado de piano. E foi com a gaita que se apresentou publicamente pela primeira vez, aos 12 anos de idade, na Associação Brasileira de Imprensa.
“Outra coisa que me lembro foi um disco que comprei (com 12 ou 14 anos, não sei ao certo) de Sarah Vaughn com Cannobal Adderley, que viria a ser seu ídolo junto com John Coltrane (o preferido): estou falando dos dois maiores saxofonistas de jazz.”
Porém o encontro musical decisivo aconteceu aos 17 anos, em 1962, quando o saxofone alto surgiu no seu caminho.
“Ganhou o saxofone de uma tia – o instrumento tem uma voz humana, e o encontro se deu: parece que já o conhecia há muitas vidas, e acho que foi uma coisa por aí, tal a naturalidade com que se encontraram”, relembra João Carlos.
Começa a estudar seriamente com Paulo Moura, e não perde oportunidade para tocar nos shows promovidos nas universidades e colégios da Zona Sul carioca.Também se torna presença assídua nas várias boates que formam o famoso Beco das Garrafas, em Copacabana, no Rio de Janeiro, onde os chamados pockets shows se tornam o ponto de encontro dos maiores instrumentistas e cantores revelados pela Bossa Nova.
Em 1965, ou seja, apenas 3 anos depois de ganhar o saxofone, Victor está tocando no Clube de Jazz e Bossa, que funcionava no Golden Room do Copacabana Palace, quando é ouvido pelo pianista e maestro austríaco Friederich Gulda (um dos raros músicos que fez carreira no clássico e no jazz), que o convida para participar de um festival internacional de Jazz em Viena.
“
Recebeu uma bolsa de estudos para estudar em Graz,na Áustria (1966), dada pelo grande pianista Friederich Gulda. Convivemos na Europa nesta época, eu ele e Cláudio Roditi, seu amigo trompetista e hoje famosíssimo. Foi uma época conturbada e feliz (tínhamos por volta dos 20 anos). Era música direto,Victor indo sempre tocar nos lugares de jazz de Viena, dar uma canja.”, conta João Carlos.“
De Viena vai ao Festival de Berlim, onde volta com o prêmio de melhor solista e ganha uma bolsa para estudar na Berklee School of Music, principal escola de jazz dos Estados Unidos. Permaneceu cinco anos nos Estados Unidos.
“Chegando lá, foi fazer uma prova de admissão. Quando acabou de tocar, o professor disse: ’mas afinal, você veio aprender ou dar aula de saxofone? Você nada tem mais nada aprender desse instrumento, sugiro que faça um curso de composição e arranjo. E foi o que ele fez’.